É um olhar plural.
Não se fixa, é perscrutador. Foge do olhar moderno dos grandes mestres do passado, mas permanece com o humanismo latente que não deve ser perdido. Uma narrativa imagética que não se coloca - como boa parte dos pós-modernos (contemporâneos / atuais?) - como um maneirismo cínico e auto-referente.
Por um lado, reflexos de vitrines que são meta-imagens e que, embora nos digam algo sobre o local, são discursos sobre o que significa transformar experiências do mundo em fotografia. Por outro, fotos de um olhar instigante esmagado pelos prédios, um pouco ofuscado pelo backlight com um resto de azul do céu, onde as setas do caminho nos conduzem tanto para luz como para a ausência dela. Um olhar contínuo que vai buscar nas crianças um movimento na fotografia que já era reclamado por Rodin no século dezenove e que chega ao terceiro milênio quebrando o processo massivo de representação televisiva com retratos de imagens que invertem o discurso dominante transformando-o numa estética questionadora.
O que temos “diante dos olhos” são mais do que simples imagens. São, também, ideias.
Silas de Paula.